Segunda-feira, 29 de Agosto de 2005

.::Metamorfoses::. (XII)

         - Reparado em mim? – fico surpreendido.


         - Sim! O modo como olhas para mim, como me observas, como estás atento a todos os meus passos…porquê?


         - Perguntas-me algo que não tem explicação, olho para ti como olho para todas as pessoas.


         - Mentes! Sei que me viste com o vigilante da casa.


 


         Aquelas palavras caíram sobre mim, como se de uma tempestade se se tratasse, optei simplesmente por dizer a verdade:


 


         - Sim, sim é verdade! Eu vi o teu beijo e as tuas trocas de carícias com ele.


         - E, que me tens a dizer?


         - Que te tenho a dizer? A vida é tua fazes o que quiseres, não te posso recriminar, que eu saiba és uma pessoa normal, não és?


         - Sim sou e tu sabes bem disso.


         - O que te levou ser assim? Desculpa a pergunta mas desperta-me interesse!


         - Sabes nem eu sei, é algo natural que vai cá dentro!


         Sabes, passei por fases muito más, antes de aceitar a minha homossexualidade, porque já teria a minha sexualidade predefinida antes, seria hetero mas estava mal consolidada. Começava a olhar para os rapazes e eles atraíam-me, simplesmente isso e durante muito tempo foi só isso mesmo. Depois tentei descobrir como seria o meio homossexual, descobri aos poucos e cada vez mais me assustava. Acabei por ter um contacto mais próximo com alguém assim, 1 ano depois. Foi difícil dar o primeiro passo! Depois apaixonei-me por alguém que só queria o meu corpo, magoou-me imenso, foi um grande amor mesmo. E só mesmo há pouco tempo consegui interiorizar que sou Homossexual, que sinto-me bem como sou e não tenho que ter medo de nada!


 


         - Fazes bem João, acima de tudo temos que nos sentir bem como somos! Parabéns, espero que prossigas assim na tua vida!


         - Pois, pena que mais alguém que aqui anda, nesta casa, tenha medo de descobrir-se e de se assumir.


 


         Nesse momento, o Miguel deixa um prato cair. Ele já estava a escutar a conversa a algum tempo e ficou atrapalhado com a conversa do João, é notório o seu desconforto e descontentamento, na cara.


 


         - Miguel, por aqui? – Fiquei com algum receio, quanto ao que tenha ouvido da nossa conversa.


(…)

publicado por R.M. às 22:55
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Sexta-feira, 26 de Agosto de 2005

.::Metamorfoses::. (XI)

         …sinto uma mão percorrer-me o corpo, num gesto sensual que me provoca um arrepio de puro êxtase. Agarro na mão que me descobre o corpo e uma voz diz-me:


         - Porque paraste-me?


         - Porque não está certo!
         - Quem és tu para dizer o que está certo ou errado?


         - Eu? Não sou ninguém, no entanto, não cometo o mesmo erro duas vezes.


 


         (Viro-me)


 


- Vai deitar-te Cátia, bebeste muito e precisas de descansar, se quiseres tomar banho eu saiu e tomas ou esperas que eu tome o meu banho a decisão é tua, os dois é que não ficamos aqui.


 


         - Ok! Toma, eu tenho tempo.


 


         Que se passa com ela? Pensa que eu sou um brinquedo que pode manipular quando quiser e muito bem entender? Não vou cometer a mesma loucura duas vezes!


 


         Acabei o duche e quando saí já não a via. Vou para o meu quarto, estava uma noite quente, acabei por me deitar sobre a cama com a toalha enrolada à cintura. Não deixava de pensar no que tinha visto entre o João e o vigilante, realmente é algo completamente normal e não o posso discriminar por isso. Homossexualidade tratasse apenas dos gostos das pessoas, tal como “nós” Heterossexuais que gostamos de pessoas do sexo oposto ao nosso, eles gostam de pessoas do mesmo sexo, tal como os homens também existem as mulheres.


Quem diria que o João e o vigilante eram Homossexuais? São pessoas tão normais, talvez por serem mesmo normais!!! Depois disto, posso estar muito bem perto de algum e nem vou dar de conta. Bem, acho que não devo dizer nada a ninguém sobre isto, as pessoas têm direito à sua privacidade e vou respeitá-la!


 


Acabei por adormecer perante as minhas divagações, acordei sobre a manhã. Como sempre fui até à cozinha e já lá estava o João, estava em boxers “exibindo” o seu bronze invejável.


 


- Bom dia – digo.


- Bom dia Ruben! Olha ainda bem que cá estamos sozinhos, tenho um assunto para falar contigo!
         - Sim diz
– fiquei meio atrapalhado por não saber que queria ele falar comigo.


- Sabes, tenho reparado muito em ti…


(…)

publicado por R.M. às 12:49
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Terça-feira, 23 de Agosto de 2005

.::Metamorfoses::. (X)

         … Abraçaram-se! Fiquei estupefacto, perante o que via! Aquela troca de carinhos não era de simples amigos mas sim do género de namorados, estava patente uma grande cumplicidade no seu tocar e no seu beijar.


Desci do muro, tentando fazer com que não me vissem e fui para dentro de casa, logo depois o João, entra em casa:


         - Boa noite! – diz ele.


 


         Eu nem reagi, nunca tive nada contra os homossexuais mas, vendo bem, não estava preparado para ver dois homens a se beijar. É esquisito, como podem eles beijar alguém do mesmo sexo. ERGHHHH!!! Nem quero pensar!


         E sabia que o João escondia alguma coisa, o modo como ele olha é bem diferente, principalmente no modo como olho os homens. Já sei o que vou fazer para ver se descubro mais, vou fazer uma festa de verão hoje.


 


         - Bem pessoal, tive uma ideia e têm todos que alinhar!


         - Sim, diz! – Dizem eles.


         - Vamos ter, cá em casa, uma festa de verão. Assim com muita música, muita dança, a nossa loucura natural e um pouco de bebidas e sumos!


        


Como todos acharam boa ideia, começamos a organizar. Dividimo-nos por grupos os rapazes trataram de organizar o bar e as raparigas a parte da música.


Foi uma noite demais, como fiquei a tomar conta do bar pude tomar controlo de tudo o que se passava na festa. Fazia uns “shakes” com umas misturas do momento, shot’s e umas vodka’s, não me podia esquecer da Márcia, não pode beber por causa dos comprimidos eu próprio fiz os sumos para ela, até que se divertiu bastante e só lhe faz bem.


O João passou parte da noite sentado no bar, por vezes sentia-me incomodado, o olhar dele por vezes emanava desejo e não conseguia enfrentá-lo com um outro olhar. Bem começou a dar uma música que todos adoram e estão todos a dançar (menos eu que continuo no bar, tomo uma outra bebida, é melhor tomar cuidado já bebi que dá) e nem ligam a nada, o João entra para o bar e colocasse atrás de mim, toca-me nas costas e dá-me uma massagem, até que soube bem no entanto veio-me à cabeça o que vi lá fora e afastei-me um pouco.


 


- Dás-me uma bebida – diz-me ele.


- Sim, que queres?


- O que me queres dar? … quer dizer o que quiseres dar.


Tenho que admitir que realmente incomoda um pouco, pode parecer meio mal e que sou preconceituoso e eu não sou.


Preparo-lhe uma bebida bem fresca e doce, ele toma um pouco e gosta:


- Está bom… - Pisca-me o olho.


 


O pessoal estava cansado, e foram todos dormir, fiquei até mais tarde, bem mais tarde, fiquei a arrumar o que fizemos para no dia seguinte estar tudo pronto. Decido ir tomar um duche. Tiro a roupa e abro a água quente, um bom banho ia livrar-me deste cansaço e da cabeça meia zonza das bebidas que bebi.


Quando estou a tomar banho, alguém toca-me, que me apanha de sobressalto.


(…)

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Domingo, 21 de Agosto de 2005

.::Metamorfoses::. (IX)

         - Podes dizer!


         - Eu tenho depressão! E…


         - Se quiseres não digas mais nada! Podemos falar quando estiveres preparada!


         - Posso falar agora…


         - Pareces uma pessoa normal, não diria que tens depressão, tenho uma ideia errada, talvez!


         - Pois!!! Já sofro de depressão há 3 anos, tenho que tomar diariamente comprimidos sem os quais fico completamente descontrolada. O que viste ontem são pequenos exemplos do que posso fazer sem pensar… ESTOU FARTA!


 


         (Começa a chorar)


 


         Fico sem saber o que fazer, nunca estive numa situação destas. Digo algumas palavras de reconforto, para tentar acalmá-la:


         - Vá lá, não chores. Uma rapariga tão bonita como tu não pode chorar.


 


         Ela sorri muito suavemente e dá-me um abraço.


 


         - Márcia, quero que saibas de uma coisa. Conhecemo-nos à pouco tempo mas podes sempre contar comigo! Sempre que penses em fazer alguma coisa que te prejudique, chama-me, procura-me e conversamos. Relaxamos e quero que contes sempre comigo.


         - Está bem.


 


         Descemos ambos e fomo-nos juntar aos outros. Houve uns comentários que nem liguei.


 


         Por notar um clima pesado, fui até à rua. Fui para o muro e pus-me a olhar para o mar.


         Aí como me faz bem estas férias! Longe de tudo e todos, no entanto muitas confusões têm acontecido e algo me diz que muito ainda falta por acontecer.


 


         Entretanto vejo um carro a chegar, era o guarda que faz a vigilância à casa. Entretanto o João, o novo colega, sai de casa a correr e entra no carro e vão embora.


 


         Durante todo o dia, decidiram todos descansar, eu aproveitei e coloquei o meu sono em dia.


 


         O dia de hoje passou mesmo muito rápido.


Já à noite, venho de novo para a rua, olhar para a Lua e para as estrelas faz-me pensar em coisas essenciais.


 


         Ouço de novo um carro a chegar, era de novo o vigilante e o João estava com ele. Vinham a falar pareciam muito cúmplices.


Saem ambos do carro com um ar muito comprometedor, olham para casa e de rompante, fazem algo que não estava à espera…


(…)

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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2005

.::Metamorfoses::. (VIII)

         Não podia acreditar que alguém pudesse fazer o que os meus olhos viam.


Os braços da Márcia esvaiam-se, em sangue. Horrível!!! Não sabia que fazia, decidi sair dali mas manter-me alerta ao estado dela. Passados cerca trinta minutos ela passou, e foi para o quarto.


         Fiquei ainda um pouco na sala a dar voltas ao assunto, porque é que a Márcia fez aquilo? Não é normal.


 


         A noite passou e acordei cedo, a Márcia já estava na cozinha, estávamos sozinho, achei o momento ideal para falarmos:


         - Olá Márcia! Tudo bem?


         - Sim está tudo!


         - Desculpa estar a tocar no assunto mas … ontem à noite eu vi-te no muro.


 


A Márcia ficou alertada, posso dizer que entrou num ligeiro clima de pânico, a tensão no nosso diálogo aumentou.


 


- Sim, eu gosto de ficar um pouco na rua à noite a pensar!


- A pensar? Ouve, sei que tens algum problema e quero-te dizer que podes contar comigo, mesmo me conhecendo a apenas dois dias!


- Estás parvo, comigo está tudo bem!


- Não faças de mim parvo, não me atires areia para os olhos! Se eu me ofereci para ajudar, podes confiar. – Levantei-me da cadeira e ia sair, já todo chateado.


- Espera … eu preciso de falar!


- Bom dia!!! – Chegou a Rute, interrompendo-nos a conversa.


 


         Não acredito nisto, no momento em que ia saber o que se passava com ela a Rute tinha que chegar. Tal como ela desceram todos.


 


         A Márcia saiu da mesa e foi para o quarto, pouco depois vou até ao seu quarto:


         - Posso entrar?


         - Um momento só, vou trocar de camisola! …Já podes.


         - Podemos falar agora, se quiseres.


         - Quero, preciso mesmo! Ontem à noite viste alguma coisa?


         - Sim vi – Nesse instante levanto-lhe os braços da camisola, para elucidar-lhe do que tinha visto, ela baixou os olhos. – Porque fazes isso?


         - Não sei…


         - Toda a gente faz alguma coisa por alguma razão.


         - Sim mas só dou por mim depois de já estar feito, eu não tenho noção do que estou a fazer no momento, é um modo que eu tenho de descomprimir tudo o que me vai lá dentro…


         - Mas porquê?


         - Eu sofro de…


(…)

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Quarta-feira, 17 de Agosto de 2005

.::Metamorfoses::. (VII)

De rompante, puxo o relatório e deparo-me com o resultado que provoca em mim um tremor pelo corpo, cai-me uma lágrima que me percorre a face e lava-me a alma após tanto sofrimento. Soltei um grito de liberdade, o resultado deu negativo!


 


Saí dali, já tarde! Cheguei a casa cansado, tomei um bom banho e joguei-me sobre a cama. Dormi como já não dormia a tanto tempo, soube tão bem!


 


Acordei, bem cedo! Mesmo antes do galo cantar e fiz-me ao caminho, tinha que juntar-me aos meus amigos, estou cheio de saudades.


 


Quando cheguei lá, a porta estava aberta, fui até à cozinha e encontrei três pessoas diferentes:


- Opps! Desculpem!


- Não faz mal! Falou-me uma rapariga muito gira, alta, morena, olhos meios para o verde, cabelo preto ondulado, mesmo muito interessante! Nós, estamos cá a ficar havia ainda quartos vagos. Deves ser o Ruben, os teus amigos já nos falaram de ti.


- Pois sou! E vocês são?


- Eu sou a Susana, esta é a Márcia e ele é o João, somos amigos e vamos passar cá as nossas férias de verão.


- Cool, nós também vamos passar! – disse eu – bem vou até ao jardim, esperar que os outros acordem, gostei de conhecê-los, espero que a gente se dê bem.


 


Fui para o jardim. Pôs-me a pensar sobre estes 3 novos “colegas”, a Susana é mesmo muito interessante, no entanto há qualquer coisa na Márcia que não está bem, faz-se vestir por cores escuras, tem no olhar muita mágoa e dor, não sei nada sobre ela simplesmente sei que tem algo que a perturba. Já o João, é um tipo meio esquisito, mal falou, tem um ar muito comprometedor. No entanto são apenas ideias que estou a conceber antes de os conhecer, logo se verá!


 


Depois de um dia de praia, nem nos apetecia fazer o jantar, fomos a casa convidar os nossos novos colegas a jantar fora, aceitaram.


O jantar foi como todos os nossos convívios, muita brincadeira muito riso e deu para ver que o pessoal novo era acessível.


 


Chegamos a casa, já um pouco tarde, foram todos deitar-se com excepção da Márcia, essa foi para a rua e eu fiquei a ver um pouco de Tv. A noite estava fria e decidi ir ver se estava tudo bem com a Márcia, ela estava sentada no muro. Subi devagar as escadas, ouvi um choro, aproximei-me em silêncio e nem queria acreditar no que via, fiquei sem reacção.


(…)

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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2005

.::Metamorfoses::. (VI)

         Parei o carro perto de uma falésia, sentei-me ali. Passei mesmo horas a fio ali sentado, arrancando do chão algumas pequenas ervas e atirando-as ao mar. Passaram-me mil e uma ideias pela cabeça, parecia que ia endoidecer.


         O pior de tudo é que eu envolvi mais pessoas nisto, quando estive com a Cátia não usamos preservativo, que mais me pode acontecer?


 


         Ergo-me completamente no cimo daquela falésia e simplesmente começo a gritar, tentando libertar-me de tamanho sofrimento e agonia que sentia dentro de mim.


 


         Já sobre a manhã, sai dali com o carro e vou para a cidade. Passo por casa, deixo as minhas coisas, tomo banho e troco de roupa. Saiu de novo, vou fazer as análises, quanto mais rápido melhor.


 


         Já estão feitas, foi horrível, os enfermeiros a olhar para mim com uma cara como se tivesse cometido algum crime. E na verdade cometi, poderei estar a abrir portas à minha morte e só porque não tive cuidado. Mas porquê? Agora pode ser tarde demais para pensar em me proteger!


 


         A porcaria dos resultados só saem dentro de uma semana e meia, nem sei que fazer! O meu telemóvel toca vezes sem conta, tenho mensagens para ler sem fim e mensagens de voz a encher-me a caixa de correio.


 


(uma semana e meia depois)


 


         Este tempo custou muito a passar e significa muitas noites sem dormir. Antes, nunca imaginaria o que seria estar nesta aflição. Vou até ao laboratório de análises mas não consigo sair do carro. Passei horas dentro do carro até decidir-me ir levantar as análises e conferir o resultado, que ditava a minha vida.


 


         Não consigo abrir … Tenho medo do resultado …


 


         Vou ter ao pé do mar, sinto-me bem ali. O mar consegue lavar-me a alma!


Começo a abrir o envelope, volto a parar…


De rompante, puxo o relatório e deparo-me com o resultado que provoca em mim um tremor pelo corpo, cai-me uma lágrima que me percorre a face…


(…)

publicado por R.M. às 19:37
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Sábado, 13 de Agosto de 2005

.::Metamorfoses::. (V)

         Fiquei calado, por longos segundos, só depois consegui dizer alguma coisa:


- De certeza não faço o mesmo do que tu!


         - Ruben, isto não é o que parece… - disse-me o David.


         - Pois não é, nem tenho nada a haver com isso!


         - David, então que se passa? – Ouço uma voz que me é bastante familiar. Nesse instante, aparece por detrás do David, quase nua trazia os seus seios igualmente desnudados. Nem quis acreditar … - é assim que és meu amigo, estando na cama com a pessoa que ainda mexe comigo. Tu sabias de tudo.


         - Ruben, foi sem querer! Foi um impulso…


         - Está tudo bem David, vai lá, continua. Quero estar sozinho.


 


         Fui para o meu quarto, foi mais uma noite em branco. Já nem sei para que fico assim.


 


         Esperei, impacientemente, até que o sol nascesse. Pôs-me a pé, tomei um banho e fui preparar o pequeno-almoço, depois íamos sair mas eu fiquei em casa, disse que tinha dormido mal a noite e que queria descansar.


 


         Porra, parece que os Deuses estão contra mim, que mais me irá acontecer!? E nesse instante o meu telemóvel toca, deixo-o tocar mas como a insistência é muito apanho-o, no visor vejo que é a Marta:


         - Estou Marta, tudo bem?


         - Já estive melhor Ruben. Tenho que falar contigo, é urgente. Onde estás?


         - Eu estou no Norte, não dá para ser mais tarde?


         - Não, tem que ser mesmo agora, mas eu falo por telemóvel …


         - Está bem, fala!


         - Eu fiz exames …


         - Estás Doente?


         - Não … quer dizer Sim. Ruben, fiz exames e o resultado foi positivo!


         - Estás grávida, Marta. Parabéns! Isso é óptimo, é uma dádiva de Deus, todas as mulheres querem!


         - Não!!! Não me estás a perceber. Eu sou Seropositiva … sou tua amiga senti-me na obrigação de te avisar.


         Não, não pode ser! Que mais me iria acontecer? É uma coisa, bem pior do que a outra.


         - Quando descobriste?


         - Na semana passada. Mas para dar positivo no teste, foi pelo menos há 3 meses e nós estivemos juntos há 5 meses atrás, faz um teste.


         - Está bem, Marta obrigado…


Desliguei a chamada. Agarrei nas minhas coisas, meti-as no carro e saí dali, completamente desnorteado.


Quando os outros chegaram a casa simplesmente depararam-se com um bilhete meu dizendo que me tinha ido embora e que voltava quando pudesse.


 


Tenho medo! Tenho mesmo muito medo do resultado! Até tê-lo não sei que farei da minha vida.


(…)

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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2005

.::Metamorfoses::. (IV)

- Ruben, Cátia! Venham jantar! – chamou-nos o David.


- Já vamos! – disse a Cátia, levantando-se como que fugindo do assunto e deixou-me ali sozinho na rua.


Nesse mesmo instante o Miguel acercasse de mim: - Não devias fazer o que fazes! Estás a sofrer…


- Pois não devia mas ela já faz parte do passado, foi assim que ela escolheu e é nesse lugar que vai ficar! Agora tu…


- Eu o quê?


- Pensas que não tenho reparado como tens andando? Muito pensativo, muito calado, triste, falta-nos um sorriso teu, que é feito de ti? Que tens?


- É melhor irmos jantar! – Levantando-se e sai de forma muito esguia!


 


“Irra” que toda a gente hoje me foge das perguntas, parece que ando a perder as pessoas por entre as minhas mãos.


 


Nessa noite, não jantei! Não consegui, fui mais cedo para o meu quarto e peguei no meu livro, pus-me a escrever como um doido. Escrever lavava-me a alma, parecia que limpava todo o meu eu, podia colocar por palavras o que sentia e me fazia agoniar!


 


Já se fazia tarde, e deitei-me… uma noite mais não conseguia dormir, fui para a rua e deitei-me sobre o muro, o fresco da noite percorria todo o meu corpo, enquanto via as estrelas, caiam sobre mim algumas gotas de orvalho que usaram o meu corpo como palco para dançar.


Agarro no meu corpo mórbido e “arrasto-me” até o meu quarto, ouço ruídos num dos quartos; no quarto do David, pareciam gemidos. Fiquei parado um pouco no corredor e quando me dirigia para o meu quarto abre-se a porta do quarto do David, não tive tempo para entrar no meu quarto…


Simplesmente, uma voz que rasga a escuridão do corredor, que me diz:


- Que fazes aqui?


(…)

publicado por R.M. às 23:23
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Terça-feira, 9 de Agosto de 2005

.::Metamorfoses::. (III)

         Quando íamos para o carro, puxei-a pelo braço. Tínhamos que conversar, depois da noite de ontem as coisas não podiam ficar assim.


         - Tas parvo? Deixa-me! Vamos embora que eles estão à nossa espera!


         - À nossa espera? Ou à espera que essa tua birra te passe? Que se passa contigo? A noite de ontem pôs-te assim! Não te obriguei a nada.


         - Eu sei! Fiz porque quis mas foi só uma curte!


         - Uma curte??? – passei-me! Não gosto de curtes, o que aconteceu ontem tinha sido por ainda gostar dela, foi um erro termos acabado!


         - Sim, uma curte! Não posso estar mais contigo, já não significas nada! Lamento.


         - Lamento, muito bem! As tuas palavras tocam-me imenso, nem queiras saber…se ontem envolvemo-nos, melhor se ontem me deixei envolver contigo foi porque ainda sinto alguma coisa por ti.


         - Ruben o mesmo não se passa comigo, acabamos e foi mesmo o fim. Eu gosto de outra pessoa, vamos embora que os outros estão à nossa espera.



         Nem acredito no que ouvi, ela não era assim mas pronto, paciência.


 


[ (Cátia) Que burra que sou! Porquê? Porquê é que eu lhe disse isto! Foi melhor assim, gosto de outra pessoa e não posso estar sempre dividida entre os dois. ]


 


         A tarde passou-se! O David finalmente começou-se a fazer à Rute, já não era sem tempo e o Miguel continuava muito pensativo, tinha que falar com ele mas não sei como. Passamos no final da tarde pela praia, e eu bem via o olhar da Cátia para os carinhos que o David fazia à Rute, será que é dele que ela gosta? Não pode ser! Eles não se suportavam, andavam sempre a discutir por terem ideias completamente opostas. Ou será que o parvo aqui sou eu?


 


         Não me precipitei, fomos para casa e enquanto preparava o jantar procurei-a pela casa toda, precisava de falar com ela. Havia coisas por esclarecer…


Encontrei-a no jardim.


         - Posso?


         - Claro que podes!


         - Desculpa, sei que já tratamos deste assunto mas hoje pela tarde reparei no modo como olhavas para o David, esse teu olhar…


         - Que queres dizer com isso agora controlas-me!?


         - Não, simplesmente quero esquecer-te como hoje ficou bem assente, entre nós, e para isso quero que me respondas com toda a sinceridade, como sempre fizeste, é do David que gostas?


         O nosso diálogo ficou congelado! A Cátia procurava no meu intimo a resposta para me dar, talvez uma resposta que ela nem sabia ainda, eu aguardava impacientemente, até que ela agarrou-me na mão…


(…)

publicado por R.M. às 13:15
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